terça-feira, 4 de março de 2014

A COPA EM CIFRAS NO RS


ZERO HORA 04 de março de 2014 | N° 17722


PEDRO MOREIRA



COPA. A Copa em cifras no RS



Até onde os governos devem envolver recursos públicos para financiar a realização de um megaevento? Que tipo de gasto do dinheiro do contribuinte é aceitável na atração de uma competição como a Copa do Mundo? O retorno financeiro e de visibilidade ao Estado e à cidade-sede justificam os investimentos? A 100 dias do início do Mundial no Brasil, são as discussões que dominam o país. Em Porto Alegre, após o tema ganhar visibilidade com as manifestações de junho passado, a indefinição sobre o financiamento das estruturas temporárias do Beira-Rio acirrou o debate sobre o envolvimento do poder público no pagamento por equipamentos e serviços que podem não deixar legado algum ao Rio Grande do Sul.

Estimativa inicial feita com base em dados públicos aponta um gasto de governo do Estado e prefeitura de R$ 569,9 milhões frente a uma estimativa da Fundação de Economia e Estatística de um incremento de R$ 503,6 no Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Ainda distantes de valores definitivos, os gastos do poder público com o evento se dividem basicamente em dois tipos: aqueles que deixarão legado à população e os que representam custo apenas para a realização das partidas ou para receber turistas. A CEEE, por exemplo, afirma investir R$ 125,7 milhões obtidos em financiamento em obras relacionadas ao Mundial. A Secretaria da Segurança sustenta uma previsão de R$ 190 milhões em investimentos, incluído nesse número a contratação de novos policiais – o valor é uma contrapartida para que o Estado receba da União R$ 79 milhões em equipamentos e a construção de um novo centro de comando. Ainda que seja preciso conferir com lupa se essa conta fechará no final do ano, esse é o lado catalisador de investimentos do Mundial.

Do outro lado estão despesas com estruturas temporárias e Fan Fests, consideradas um gasto público inconcebível por alguns. Ou a isenção fiscal para a construção de estádios – casos do Beira-Rio e da Arena do Grêmio, onde o poder público já abriu mão de R$ 93 milhões em tributos não cobrados. Justificar investimentos e isenções fiscais para a Copa é um cavalo de batalha para Estado e prefeitura em meio ao recrudescimento do debate sobre o financiamento das temporárias. Lançado às pressas no mesmo dia em que a administração estadual protocolou o projeto que prevê desconto no ICMS devido para empresas que investirem nas estruturas, há cerca de 10 dias, um estudo da Fundação de Economia e Estatística (FEE) aponta elevação de R$ 503,6 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho a partir dos gastos de turistas que virão para cá durante o Mundial – com um incremento de R$ 36,4 milhões na arrecadação de ICMS.

– O estudo é pessimista. Esse seria um piso e não um teto. Se eu pegar a construção do Beira-Rio, de estradas, daria um valor enorme – sustenta o diretor-técnico da FEE, André Scherer.

A conta passa longe de estar fechada

O órgão prevê, também, a criação de 7,5 mil empregos diretos e 4,9 mil indiretos, e usa como base um levantamento da Fecomércio-RS que estima um gasto de R$ 360 milhões dos visitantes no Estado.

Zero Hora apresenta custos já definidos e estimativas que apontam como devem se dividir os gastos dos governos estadual e municipal para receber os cinco jogos na Capital. O levantamento é inicial, desconsidera verbas disponibilizadas a fundo perdido do governo federal e não leva em conta gastos indisponíveis nos portais da transparência ou não disponibilizados pelas assessorias de imprensa até a noite de ontem. A conta passa longe de estar fechada, mas já é tempo de avaliar se valerá ou não a pena para Porto Alegre ser cidade-sede da Copa do Mundo de 2014.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

BLINDADOS PARA PROTEGER AUTORIDADES

Fausto Macedo

O ESTADO DE S.PAULO, 26.fevereiro.2014 06:00:12

Frota especial de veículos será usada na segurança de autoridades estrangeiras e nacionais

por Fausto Macedo


A Polícia Federal adquiriu 36 veículos blindados modelo Mitsubishi Pajero Full que serão usados na segurança de autoridades estrangeiras e nacionais. O objetivo da PF é distribuir a frota especial, inicialmente, para as 12 cidades-sede da Copa do Mundo.

Depois, os carros serão enviados para as cidades onde a PF mais atua na área de segurança e escolta de dignitários. Os blindados vão custar R$ 8,8 milhões e serão recebidos gradativamente, a partir de abril, conforme cronograma de entrega aprovado pela instituição.

A blindagem dos novos veículos SUV (Sport Utility Vehicle) da Polícia Federal, com alto padrão de segurança e conforto, é nível A3, que suporta tiros calibres 22, 38, 9 milímetros e Magnum 357 e 44.

A compra dos blindados faz parte de uma intensa programação da PF, envolvida no planejamento das ações de segurança para os Grandes Eventos, com especial atenção para a Copa do Mundo/2014. Desde 2011, destaca a PF, foram investidos mais de R$ 400 milhões, dos quais R$ 90 milhões estritamente em equipamentos e capacitação para os Grandes Eventos.

Foram adquiridos viaturas, armamento menos letal, embarcações, coletes balísticos, equipamentos para os grupos de operações especiais e para os grupos de bombas e explosivos, soluções de tecnologia da informação – inclusive para investigação de crimes cibernéticos – e identificação de vítimas de desastres e estruturação do Centro de Cooperação Policial Internacional.


Blindados de alto padrão para o Mundial começam a chegar em abril. Foto: Divulgação

Mais de 1200 servidores foram capacitados em diversas áreas de atuação, como segurança de dignitários, polícia marítima, segurança cibernética, gerenciamento e negociação de crises, vistorias e contramedidas, sem contar os diversos treinamentos realizados em eventos-teste, exercícios, simulados e no período pré-operacional aos eventos dos quais a PF participou.

Indagada pela reportagem do Estado se está preparada para cumprir sua missão na Copa do Mundo e na Olimpíada 2016, a Direção Geral da Polícia Federal – a cargo do delegado Leandro Daiello –, divulgou nota em que revela detalhes de seu planejamento para os Grandes Eventos.

Confira abaixo a íntegra da nota:

A Polícia Federal está preparada para atuar na Copa do Mundo de 2014 nas atribuições inerentes à instituição. Isso decorre do planejamento das ações de segurança para os Grandes Eventos instituído desde dezembro de 2009, quando foi criado grupo de trabalho interno para estudar o tema.

Além de integrar a Comissão Especial de Segurança Pública para Grandes Eventos e manter forte interlocução com a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (SESGE) que, aliás, é chefiada por servidor da instituição desde sua criação em 2011, a PF atuou de forma decisiva nas ações de segurança dos Jogos Militares, do sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável – Rio+20, do sorteio da Copa das Confederações, da Copa das Confederações e da Jornada Mundial da Juventude.

Desde 2011, foram investidos na PF mais de R$ 400 milhões, dos quais R$ 90 milhões estritamente em equipamentos e capacitação para os Grandes Eventos. Esse investimento permitiu a aquisição de viaturas, inclusive blindadas, embarcações, armamento menos letal, coletes balísticos, equipamentos para os grupos de operações especiais, para os grupos de bombas e explosivos, soluções de tecnologia da informação, inclusive para investigação de crimes cibernéticos e identificação de vítimas de desastre, e estruturação do Centro de Cooperação Policial Internacional.

Mais de 1200 servidores foram capacitados em diversas áreas de atuação, tais como segurança de dignitários, polícia marítima, segurança cibernética, identificação de vítimas de desastre, gerenciamento e negociação de crises, vistorias e contramedidas, sem contar os diversos treinamentos realizados em eventos-teste, exercícios, simulados e no período pré-operacional aos eventos dos quais a PF participou;

Quanto ao orçamento destinado ao órgão, a PF apresenta anualmente crescimento em sua execução orçamentária, superando os índices oficiais de inflação do período. Aos números: mais de R$ 852 milhões em 2010, R$ 903 milhões em 2011, R$ 961 milhões em 2012 e R$ 1,026 bilhão em 2013;

A PF dispõe de duas unidades de VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) operando regularmente, especialmente nas fronteiras brasileiras.

A PF realizou a maior compra de sua história em coletes balísticos destinados a segurança dos seus servidores: 11.200. Da mesma forma, foram adquiridas 600 armas longas destinadas ao Comando de Operação Táticas, Grupos de Pronta Intervenção e Núcleos Especiais de Polícia Marítima, 800 armas não letais para controle de distúrbios, 1.450 viaturas, 18 equipamentos de raio X, 15 robôs anti-bombas, 111 binóculos de detectores de visão noturna, 180 designadores laser infravermelho, 20 cães farejadores, 17 lanchas, 6 scanners corporais para aeroportos, 1 aeronave de grande porte, entre outros investimentos.

A PF inaugurou novas edificações em diversas localidades, tais como as novas Superintendências Regionais no Acre e em Roraima, as novas delegacias de Presidente Prudente/SP, Santa Cruz do Sul/RS, Campina Grande/PB e Guaíra/PR. Em breve, serão inaugurados os novos prédios referentes à Superintendência no Amapá e à Delegacia em Cáceres/MT.

Foi realizado concurso para o preenchimento de 1.200 vagas de policiais. Outro concurso para mais 600 policiais está em avançado estágio de autorização pelo Governo Federal. A prova para mais de 500 agentes administrativos ocorreu no início de fevereiro.

Os resultados dos investimentos realizados pela gestão atual são evidentes com o recorde de operações policiais especiais deflagradas pelo órgão: 246 em 2011; 289 em 2012; e 296 em 2013. A quantidade de drogas apreendida pela instituição também alcançou números históricos: no ano passado, 256 toneladas de drogas saíram das ruas pela atuação da PF. A marca de passaporte emitidos em 2013 também foi recorde: 2,1 milhões de pessoas foram atendidas pelas unidades da instituição e receberam novos documentos de viagem, número superior ao de uma metrópole do tamanho de Manaus/AM.

BRASILEIRO, ÀS ARMAS!





ZERO HORA 26 de fevereiro de 2014 | N° 17716



ARTIGOS



Por Nilson Luiz May*



Na história moderna, nosso solo pátrio jamais foi invadido por tropas estrangeiras. Mesmo no decorrer da II Guerra Mundial, a Força Expedicionária Brasileira foi lutar lá fora. Agora, o país está sob ameaça de guerra em seu território. Preparai-vos para o combate. O tempo está chegando. Trombetas anunciam o apocalipse. A partir de 12 de junho, ou mesmo antes, as batalhas estarão nas ruas.

Pergunta: em que me apoio para pronunciar tais alertas?

Resposta: nas notícias espargidas pela mídia e confirmadas pelo governo.

Recentemente foi criado pelo Planalto, em prioridade nacional, o Gabinete de Crise permanente. O mesmo deverá estabelecer estratégias padronizadas para: amortecer o impacto de deflagrações, monitorar os movimentos de cidadãos suspeitos, programar o policiamento direto nas ruas, produzir informes reservados diários, promover segurança de delegações estrangeiras, dentre outras providências. Os ministros da Justiça, da Defesa e dos Esportes foram chamados pela presidente, a fim de instruir autoridades policiais e de segurança, tanto nacionais quanto as polícias civil e militar dos Estados e municípios. Há uma Força Nacional de Segurança Pública de prontidão. São 10 mil homens, entre militares e civis voluntários. Homens aquartelados, forças armadas de plantão em emergências, para proteger estruturas críticas, como usinas hidrelétricas e centrais nucleares. Já foram anunciados gastos de R$ 40 milhões para compra de armas, munições, sprays de pimenta e escudos de proteção. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) está organizando pontos em locais de provável eclosão de enfrentamentos. Diz-se que 120 mil efetivos estão sendo mobilizados no país. Pretendem estabelecer a restrição de ir e vir das pessoas. No Estado (atenção meliantes), o governo poderá deslocar 2 mil PMs do Interior para a Capital, no período em que os militantes dos coletivos prometem que vai ter luta.

Do outro lado, estamos nós. Os pacifistas. Pelo instinto, queremos armas para a defesa de nossas famílias. Talvez, na falta dessas, tenhamos que amealhar tacos de beisebol, cabos de vassoura, barras de ferro, varas de bambu. Precisamos nos defender do inimigo. Todavia, estamos com problemas. Onde está o inimigo? Deve haver um inimigo. Caso contrário, por que toda esta preparação bélica? Quem será o inimigo? A Argentina de Cristina Kirchner prepara finalmente a invasão? Aguardar que uma ameaça possa ser cumprida ou não é o pior castigo e a maior tragédia para os que esperam. Por via das dúvidas, seguindo os preparativos governamentais, estamos aquartelados. Não sabemos donde virão as balas. Mas que venham! Os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil.

*Escritor e médico NILSON LUIZ MAY*


domingo, 23 de fevereiro de 2014

DO ORGULHO À DESCONFIANÇA

ZERO HORA 22/02/2014 | 18h02

Do orgulho à desconfiança: o sentimento dos brasileiros em relação à Copa. A pouco mais de 100 dias do início da Copa, parte dos torcedores do Brasil já não enche o peito de orgulho com a competição



Foto: Anderson Fetter


Rodrigo Muzell



Imagina na Copa.

A frase quis ser slogan ufanista de um patrocinador da Copa do Mundo, mas virou o resumo do humor brasileiro em relação ao evento que receberemos daqui a 109 dias: o que antes era orgulho e expectativa virou desconfiança e dúvida.

Eis um retrato em alta definição da complicação chamada Brasil: 80% dos pedidos de ingressos feitos à Fifa para o torneio vieram de brasileiros. Ao mesmo tempo, pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) na semana passada informou: 50,7% dos entrevistados dizem não querer a Copa.

A Pátria de Chuteiras está de mal com a bola. Na verdade, não tanto com a bola: na pesquisa da CNT, 75% criticam especificamente os investimentos públicos para a realização do Mundial, que ultrapassam os R$ 25 bilhões, segundo o Portal Transparência. Parte do Brasil está meio de mal é com a instituição Copa do Mundo.

Antes mais raras, as vozes críticas se multiplicam desde os protestos na Copa das Confederações, no ano passado, e a cada notícia de atraso em obras ou aumento de custos. Na semana passada, o ex-tenista Gustavo Kuerten, tricampeão em Roland Garros e ex-número 1 do mundo, foi duro ao comentar o sistema montado em Florianópolis para o Congresso Técnico da Fifa, que custou R$ 3,9 milhões ao governo estadual.

- A sensação é bem frustrante com a Copa. O governo não cumpre compromissos com a população, mas com a Fifa, faz um esforço sobre-humano para fazer o que querem - disse Guga.

Outro ídolo, Ronaldo Nazário, disse na sexta-feira em coletiva da Fifa que os críticos são uma minoria que não percebe a oportunidade que o país tem:

- Temos de mostrar a eles que a Copa é um ótimo negócio para o Brasil.

Minoria ou maioria, a intensificação nas campanhas de marketing do governo federal - que batizou o torneio de "Copa das Copas" - é uma reação à mudança de humor da população, que veio em dois atos: o sonho e a realidade.

2007/2013 - O sonho

Quando foi confirmada para solo brasileiro, em 2007, a Copa do Mundo causou festa em praças públicas e euforia comparável aos cinco títulos da Seleção. Nos dois anos que a Fifa levou para definir as cidades-sede, gerou um leilão entre as 17 candidatas - todas tentando atrair a Fifa com promessas de estádios novos e todo o apoio que a entidade precisasse. O então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, garantia: será a Copa da iniciativa privada.

Em 2010, uma Matriz de Responsabilidades foi firmada entre todas as instâncias de governos e clubes de futebol para definir a lista de obras públicas necessárias. Era dinheiro público, mas para desenhar um Brasil modernizado: reformas em 13 aeroportos, obras de mobilidade urbana para melhorar o trânsito nas capitais, construção ou remodelação de estádios estaduais e privados. Tudo para ficar pronto em dezembro de 2012, a tempo da Copa das Confederações no ano seguinte.

Do lado do turismo, calculou-se: virão 600 mil estrangeiros no mês do Mundial, e estes serão recebidos por legiões de trabalhadores capacitados em outras línguas e técnicas de turismo. O governo federal falava alto sobre um trem-bala que ligaria São Paulo e Rio, o estadual, num Cais do Porto novinho em folha para mostrar o Guaíba a turistas, o municipal em sistemas de ônibus rápido cortando Porto Alegre junto a avenidas cuja ampliação fora projetada ainda na década de 1950. Os olhos da Fifa brilhavam, e da população também.

Pule alguns anos.


2013/2014 - A realidade

O brilho já não é mais o mesmo. Dias atrás, Recife afirmou que não fará a Fan Fest _ exibição pública dos jogos em todos os dias da Copa, com shows e atrações musicais. Alega que custaria R$ 20 milhões e esse dinheiro pode ser melhor aplicado em saúde, educação, transporte.

"Quem não quer melhoria nesses itens?", perguntam os defensores árduos como Ronaldo, integrante do Conselho de Administração do Comitê Organizador da Copa (COL). "Mas quem garante que essas verbas seriam realmente investidas nisso se não houvesse Copa?", emendam. Ironicamente, a dúvida sobre a capacidade do poder público é reforçada quando se olha para os investimentos estatais: mais em estádios (R$ 8 bilhões) do que em mobilidade urbana (R$ 7 bilhões). Muitas delas foram abandonadas, como o monotrilho de Manaus ou o sistema de ônibus rápido em Salvador. Outras ficaram para depois da Copa, sem data precisa para terminar, como as de Porto Alegre.

Com o atraso geral, itens dos contratos que não eram claros - porque a hora de cumpri-los não havia chegado - surpreenderam a população. A polêmica das estruturas temporárias, que no Rio Grande do Sul devem custar R$ 30 milhões e serem bancadas com isenções fiscais, é um desses casos. Desde que o Mundial se profissionalizou e virou um megaevento, esses gastos existem - e a informação não escapou da comitiva de servidores municipais, estaduais e integrantes do Inter que foram à Copa de 2010 ver como se fazia o evento. Ao longo dos anos, o compromisso, questionado pelo Ministério Público, vinha sendo evitado por autoridades.

Em resumo, venderam uma Copa e estão entregando outra. E isso traz consequências, como você vê a seguir.


R$ 25,9 bilhões em recursos federais estão previstos, mas apenas R$ 12,8 bilhõesforam contratados até agora

55 obras de mobilidade urbana no Brasil estavam previstas na matriz de responsabilidades, mas 22 delas não ficarão prontas a tempo.


Políticos acuados, Fifa exasperada

Com a população torcendo o nariz, políticos tentam descolar-se da ideia de que estão à mercê da Fifa e renegociam qualquer tipo de investimento previsto nos contratos assinados com a entidade. Se Recife foi taxativa em não querer Fan Fest, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, também deu entrevistas queixando-se dos custos do evento, previsto para Copacabana. Na Fifa, sobra perplexidade.

- Nunca cogitamos que uma cidade abriria mão da Fan Fest. Quando estavam disputando uma vaga como cidade-sede, prometiam eventos incríveis e apoio total - disse o diretor de marketing da entidade, Thierry Weil.

Em privado, os oficiais da Fifa queixam-se do hábito brasileiro em tentar mudar à última hora o que foi acertado. Se veem com dificuldade para explicar a fornecedores, patrocinadores e até torcedores os atrasos no planejamento de um evento previsto há sete anos. O imbróglio das estruturas temporárias no Beira-Rio, em Porto Alegre, é um exemplo. Na Fifa, não se entende por que um projeto de lei só foi enviado à Assembleia a 112 dias da Copa, se o assunto se discutia desde o ano passado. Entre os organizadores, a sede gaúcha é vista como uma das mais complicadas - especialmente pela postura distante do governador Tarso Genro, que delegou todos os contatos com Fifa e COL ao vice, Beto Grill.

Dentro do governo, a secretários e assessores, Tarso defende a vinda da Copa, que considera importante para dar visibilidade ao Estado. Porém, prefere ficar fora dos holofotes no assunto - posição que tinha já antes das manifestações de 2013 e vem intensificando à medida em que o Mundial se reveste de polêmica. Três dias antes da inauguração do Beira-Rio, em que esteve ao lado de Dilma e Valcke, o governador fez o secretário-geral da Fifa ser recebido por Grill em pleno Piratini, o que incomodou a entidade.

Vai sair Copa, e será profundamente verde-amarela: dos 1,5 milhão de ingressos já vendidos para o público geral, 900 mil são para brasileiros. É impossível imaginar que as Fan Fests fiquem vazias. Copas do Mundo sempre mudaram calendários na vida dos súditos de Pelé, transferiram férias, mudaram planos. Este ano, não será diferente.

Apenas não será só festa, mas também debate, opinião, cobrança. Coisas de país democrático, afinal de contas.

*Colaborou Carlos Rollsing

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

DANE-SE A COPA DO MUNDO


ZERO HORA 19 de fevereiro de 2014 | N° 17709


PAULO SANT’ANA




Fosse eu prefeito de Porto Alegre e estivesse sendo chantageado para custear com o dinheiro público os R$ 22,6 milhões destinados às estruturas temporárias em torno do Beira-Rio, que faltam para que a Copa do Mundo seja realizada em Porto Alegre, não assinaria a verba.

Que a Fifa, que tem lucros bilionários com a Copa do Mundo, custeie as obras, não a prefeitura de POA.

-

Pelo que noto, a prefeitura vai ceder à chantagem.

Mas como, se leio que o setor de emergência clínica do Hospital de Pronto Socorro está negligenciado? Se o Pronto Socorro está em apuros, como a prefeitura vai pagar R$ 22,6 milhões para as tais obras de estrutura temporária em torno do Beira-Rio?

Isso só cabe em cérebros de tolos. E eu não sou néscio.

-

Se eu fosse prefeito de Porto Alegre, influenciaria para que esta Copa do Mundo fosse jogada na Cochinchina, não aqui.

Cá para nós, qual a vantagem para um milhão e meio de porto-alegrenses que a Copa seja jogada em nossa cidade? Meia dúzia de jogos sem o Brasil? Isso é uma besteira.

-

Quando, lá atrás, se cogitou que a Copa vinha para o Brasil, parece que eu estava adivinhando que isso iria estourar no meu lombo. Pois estourou no lombo dos porto-alegrenses, como tudo se anuncia.

-

Isso tudo tinha de ser cobrado do Lula, que foi quem inventou que a Copa tinha de ser jogada no Brasil.

Não do tesouro público federal, mas na conta particular do Lula, que foi se assanhar com a Fifa para trazer a tal de Copa para o Brasil.

E os porto-alegrenses é que vão arcar com as despesas?

Isso é um inominável despautério.

-

Repito, se eu fosse prefeito de Porto Alegre, mandava esta Copa do Mundo para o inferno, não deixava que ela fosse jogada aqui, nem no Beira-Rio nem na Arena.

Mas, se o Hospital de Pronto Socorro está em sérias dificuldades para equipar a sua emergência clínica, é um despropósito monumental que a prefeitura vá enterrar R$ 22,6 milhões sem retorno nessas estruturas temporárias. Já por serem temporárias e não redundarem em nenhum benefício para a cidade nem para o Beira-Rio, eu não pagava essa conta.

Essa conta não é nossa. Que vá pagá-la o ventre que produziu tão feio e inútil parto.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

MAIS DA METADE DOS BRASILEIROS ACHAM QUE O PAÍS NÃO DEVERIA SEDIAR A COPA



CORREIO DO POVO 18/02/2014 12:33

Pesquisa da CNT mostra que 75,8% dos entrevistados acham que investimentos foram desnecessários




Caso a escolha do país que vai sediar a Copa do Mundo de 2014 ainda fosse ocorrer, 50,7% dos entrevistados na pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) não apoiariam a candidatura do Brasil. Outros 26,1% seriam totalmente a favor da medida e 19,7% defenderiam parcialmente o evento no país.

A pesquisa foi divulgada hoje (18) pela CNT e mostra também que 75,8% dos entrevistados avaliaram que os investimentos feitos no país para a Copa do Mundo foram desnecessários. Ficou em 13,3% o percentual dos que consideram esses investimentos adequados.

Em relação às obras de mobilidade urbana feitas para a Copa do Mundo como metrô, trens e corredores de ônibus, a maior parcela dos entrevistados (66,6%) não acredita que ficarão prontas a tempo dos eventos nas cidades-sede. Os que acreditam que as obras estarão concluídas a tempo são 27,7%. Os que não sabem ou não responderam ficaram em 5,6%.


As manifestações públicas durante o mundial de futebol são esperadas por 85,4% dos entrevistados e só 11,4% acreditam que o povo não irá às ruas. O percentual dos que pretendem participar dessas mobilizações chega a 15,2% e 82,9% não têm a intenção de protestar.

O otimismo quanto à Copa do Mundo surge na pesquisa quando o assunto é a seleção brasileira. Um total de 56,2% dos entrevistados acredita que o Brasil vai ser o campeão do mundial de futebol. Outros 34,6% acham que a seleção brasileira não vai vencer a copa e 9,2% não sabem ou não responderam a pergunta.

Nesta edição da pesquisa foram entrevistadas 2.002 pessoas em 137 municípios de 24 unidades da federação, entre os dias 9 a 14 de fevereiro. A margem de erro é 2,2 pontos percentuais. A pesquisa foi encomendada pela CNT ao instituto MDA.




Fonte: Agência Brasil

sábado, 15 de fevereiro de 2014

COPA DO MUNDO, ASSALTO A MÃO ARMADA

Correio do Povo
CORREIO DO POVO
Postado por Juremir em 15 de fevereiro de 2014


Tem que ache a maior demagogia do planeta relacionar gastos na Copa do Mundo com a falta de dinheiro para educação e saúde.

Tem quem ache natural defender o sobrenatural.

E tem que jure ter um unicórnio em casa.

Mais fácil ter dois.

Dois em um.

Li uma sequência de notícias no Correio do Povo que não deixa dúvidas: tira-se de um lugar para colocar em outro. É uma lei da física.

A Copa do Mundo é essencial.

O resto é acessório.

A Copa do Mundo é sagrada. Não se pode perdê-la.

Já a vida…

Vida todo mundo tem.

Copa é uma só.

Deve ser esse o critério.

Vamos aos fatos: “A Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores realizou uma inspeção no Hospital de Pronto Socorro da Capital e verificou diversos problemas, incluindo falta de segurança, quadro reduzido de profissionais e fechamento de leitos. Conforme o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), foram fechados 17 leitos na área clínica e 13 nos setores de atendimento buco-facial e de otorrinolaringologia”.

O HPS está pela hora da morte: “Conforme o presidente da Comissão, vereador Thiago Duarte, existe uma déficit de 150 profissionais na área de enfermagem, o que reflete no fechamento do laboratório da instituição. O parlamentar fala, ainda, que o atendimento de emergência clínica está negligenciado”.

Thiago Duarte é médico.

Enquanto isso, a Copa vai bem, obrigado e não dá mole para os cofres públicos: “A Prefeitura da Capital dispõe de R$ 22,6 milhões para aplicar em estruturas temporárias da Copa do Mundo. Na manhã de hoje, o presidente do Inter, Giovanni Luigi, disse esperar do poder público estadual ou municipal o aporte para financiar os projetos não definitivos”.

Só o Ministério Público, na figura de D. Quixote, tenta resguardar o dinheiro público. Parece que está sobrando. As tais estruturas temporárias são armações supérfluas para incrementar os ganhos da Fifa.

Tem mais: “Em nota, o Executivo municipal justifica que a utilização do recurso, em caso de necessidade, vai ocorrer em atividades de responsabilidade da cidade, como as estruturas físicas da Fanfest – festa para quem vai acompanhar o jogo de fora do estádio – e do Caminho do Gol – deslocamento de pedestres do Centro ao estádio Beira-Rio”.

Essa Copa do Mundo é um assalto à mão armada aos cofres públicos. O assalto do milênio. A Fifa superou Ronald Biggs. Deveria ser impedida de sair do país. Extraditar para a Suíça só a beneficiaria. Aliás, fica explicada a razão de a Fifa ter sede na Suíça. O HPS que espere.

O Inter precisa economizar dinheiro para despesas prioritárias como o milionário salário do imprescindível Rafael Moura.

O acessório segue o principal.