domingo, 13 de julho de 2014

AS MÁFIAS DO FUTEBOL

ZERO HORA 13 de julho de 2014 | N° 17858. ARTIGOS



MOISÉS MENDES*




O Brasil se divertiu com uma imagem que a TV repetiu por uma semana na Copa. Um jogador da seleção de Gana cheirava um maço de dólares no corredor do hotel. Era o personagem visível e distante de nós da dinheirama que rola no futebol.

O jogador recebia o pagamento que o governo de Gana enviara por avião, como recompensa pela participação na Copa, ou ninguém entraria em campo. E, dias depois, fomos informados de que atletas de Camarões poderiam ter recebido dólares para manipular resultados de seus jogos.

Com as duas notícias, ficamos com o folclore que não nos ofende. Jogadores de seleções sem expressão nos ofereciam argumentos para condenar as imoralidades dos outros. E eram africanos. Nós, torcedores de seleções cada vez mais brancas, seríamos espectadores das baixarias alheias.

Nossos cheiradores de dólares estão encobertos em trincheiras poderosas. Ganeses e camaroneses são caricaturas no ambiente de corrupção que ronda há muito tempo a Fifa, a CBF e similares. São coisas graúdas misturadas à coisa miúda.

Uma coisa miúda foi descoberta pela polícia carioca, enquanto os jogadores de Gana cheiravam dólares. Maços de dinheiro circulavam no Brasil pelas mãos da máfia dos ingressos, que pode ter faturado até R$ 1 milhão por jogo da Copa. Mas também isso é coisa pequena.

O esquema mafioso do inglês Ray Whelan com o argelino Mohamadou Lamine Fofana é de varejo. Fofana, homem de confiança da Fifa, é uma dessas figuras de saguão de hotel, que conversam pelos cantos se esfregando em bacanas, andam com moças bonitas, têm crachá e carro à disposição e oferecem festas a celebridades.

São tipos que se denunciam pelo jeito de andar, de falar e de se esgueirar. Todo mundo sabe, até as camareiras dos hotéis, que são pilantras. Mas ninguém faz nada. Até que um delegado, sem saber de que tudo é combinado, atrapalha os negócios.

Mas por que não caem os mafiosos brasileiros das negociatas com jogadores, com as partilhas entre dirigentes, técnicos e empresários? Por que o ex-dirigente do Internacional Roberto Siegmann nunca foi chamado pelo Ministério Público para contar o que diz saber dessas máfias?

Siegmann é um Quixote. Repete em entrevistas que o futebol brasileiro é mafioso e alerta que há interesses encobertos, para muito além da paixão clubística. Mas o que ele sabe que nós também devemos saber?

Os clubes vivem das parcerias com investidores. É do jogo. O que interessa é iluminar o submundo das transações, dos arranjos, da politicagem da CBF.

Siegmann pode nos dizer por que pernas de pau, muito bem remunerados, circulam pelos clubes, em rodízio, sob a proteção de treinadores e dirigentes. Por que a gestão dos clubes, sequestrada pelos empresários, é deliberadamente precária?

Quem anda cheirando e comendo dólares? Outros que sabem o que Siegmann diz saber devem se aliar ao seu esforço.

Alguém pode dizer que esse é um problema dos clubes e que ninguém deve se meter em rolos privados (se fosse assim, a polícia não teria investigado os cambistas da Fifa).

Vamos lá. Quem continua, fora de campo, a faxina que a seleção da Alemanha começou naquele jogo-tragédia de terça-feira?

Espero que não confundam o que escrevi com as teorias dos que acreditam nas conspirações para que o Brasil ganhasse ou perdesse a Copa. Vamos procurar as máfias onde elas de fato estão.

Domingo passado, escrevi aqui que José Dirceu iria para o regime semi-aberto para trabalhar como bibliotecário de um escritório. Recebi e-mails de profissionais da área, com o alerta de que o trabalho exige formação superior específica.

Peço desculpas aos bibliotecários, bons parceiros da minha obsessão de estar sempre mexendo em acervos e memórias.

*JORNALISTA

A QUEDA DOS DEUSES,

ZERO HORA 13 de julho de 2014 | N° 17858


ARTIGOS

 por FLÁVIO TAVARES*



A Pátria é como o amor está onde estivermos, em nossos atos e nossos gestos. O poeta Fernando Pessoa, que tudo expressava pela escrita, dizia que sua pátria era a língua portuguesa. Desde a tarde de 8 de julho, estamos em estado de choque pelo Brasil, na frustração da fantasia do amor à pátria. A derrota de 7 a 1 no futebol nos leva à mais brutal das catástrofes a queda dos deuses. Sim, pois transformamos a Copa do Mundo e o futebol em novo deus, numa fanática idolatria em que a Seleção reunia os sacerdotes sagrados que nos levariam ao Paraíso. A avalanche contou com os governantes, que se submeteram às estripulias faraônicas da Fifa.

Empurrados pela “lei da Copa” (votada por senadores e deputados), a presidente, governadores e prefeitos das cidades-sede deram à Fifa e às empresas por ela apontadas regalias, benefícios e isenções que o setor público ou privado brasileiro jamais teve para investir no desenvolvimento do país. O Mundial nos redimiria de todos os males e defeitos. Tudo se permitia a esse anjo-salvador que instalaria o divino céu entre nós. Os odiosos seriam seduzidos pelo amor e os amantes iriam amar-se ainda mais. Nas cidades-sede, a bonança recaria sobre ricos e pobres.

O ser humano adora competir e festejar triunfos, e os meios de comunicação alimentaram essa fantasia de esplendor que o mercantilismo (e ânsia de lucro) da propaganda das empresas aquinhoadas pela Fifa exacerbou ainda mais.

Felipão e os jogadores eram como entes celestiais, novos deuses redentores. As obras da Copa, dispensadas de licitação, surgiram como paraíso do suborno, idolatradas por “lobistas”, prefeitos, secretários de Estado e similares. O$ “amigo$” tinham preferência.

Para atenuar o vergonhoso 7 a 1, há quem compare tudo a 1950, no Maracanã. Nada é mais errôneo. Há 64 anos, um erro gerou a tragédia. Agora, o fanatismo nos cegou, e a sucessão de fantasias (ou mentiras) levou à aberração do fiasco dos novos deuses. No ar ou em terra, tudo hoje é diferente. Lembro-me bem do trágico julho de 1950. Primeiro, o imenso Constellation da Panair explodiu ao bater no Morro do Chapéu, em São Leopoldo. Logo, o avião de Salgado Filho, candidato trabalhista a governador, cego pela bruma, caiu à saída da fazenda de Getúlio Vargas, na fronteira. Ninguém sobreviveu.

No Maracanã, o 2 a 1 do Uruguai sobre o Brasil completou o drama. Mas a Seleção caiu com dignidade. Foi até superior, só derrotada pelo titubeio do goleiro Barbosa no segundo gol. Agora, onze anjinhos esvoaçavam sem rumo, sem asas e humilhados.

E em 1950, a Fifa não se envolveu no escândalo milionário da venda de entradas no câmbio negro...

Em Montevidéu, em 1975, Obdúlio Varela, o “capitão” que guiou o Uruguai ao triunfo, contou-me que, após o jogo, tomou um bonde e foi conhecer Copacabana. Sozinho, de terno e gravata, sem ser reconhecido, viu “lamentos e choro” nas ruas, bares e cafés.

– A tristeza era tanta, que me arrependi da vitória. Tive vontade de ir ao hotel, buscar a Copa e entregá-la aos brasileiros –, me contou em lágrimas, emocionado.

Mas, para que queríamos a nova taça, agora? Em 1970, no México, vi Pelé e Tostão erguerem a Copa Jules Rimet, que passou definitivamente ao Brasil-tricampeão. Pouco depois, a taça de ouro maciço foi roubada da sede da Confederação Brasileira de Desportos, no Rio. Os ladrões nunca foram identificados.

Para isto queríamos a nova copa de ouro? Para aguçar a cobiça dos ladrões de sempre? Sem lamentos, agradeço aos alemães por nos livrarem da repetição de um crime impune. Em vez de algozes, eles são os justiceiros a nos livrar da sanha dos ladrões de sempre!

Só não precisava tanta humilhação!



*JORNALISTA E ESCRITOR

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A GERAÇÃO DO 7 A 1


ZERO HORA 09 de julho de 2014 | N° 17854

MINEIRATZEN

EQUIPE DE 2014 fica marcada pela maior derrota da história do Brasil, dentro de casa, e pode ter se despedido para sempre da Seleção



A queda é mais eterna do que a glória? Se as Seleções de 1950, de 1982 e a de 1990 foram tachadas de perdedoras, o que sobrará para a turma de 2014? Ao deixarem o gramado, arrasados por um inacreditável 7 a 1, muitos jogadores vestiram pela última vez a camisa amarela no Mineiratzen a versão mineira e alemã para o Maracanazo.

Mesmo alguns daqueles que ainda têm idade para jogar a Copa do Mundo de 2018 possivelmente não voltem a ser convocados. Uma geração marcada a ferro como dona do pior vexame da história do futebol brasileiro. Algo tão marcante que o placar parece aqueles de primeira fase de Copa do Brasil.

Ainda em campo e atônito, o goleiro Julio César, 34 anos, reserva no Mundial de 2006, titular na África do Sul e no Brasil, bem que tentou justificar a goleada. O único argumento que encontrou foi o melhor conjunto germânico. E pediu desculpas.

– Explicar o inexplicável é muito complicado. Temos que reconhecer que eles vêm jogando juntos há seis anos. Depois do primeiro gol, deu um apagão. Ninguém esperava. Particularmente, já passei por um momento complicado como este, sei como é – disse o camisa 12.

Um dos símbolos da Seleção, o cabeludo zagueiro David Luiz vinha sendo um dos destaques da Copa. Até encontrar a Alemanha pela frente. Como toda a equipe, o capitão de ontem naufragou. Chorou ao deixar o campo. Logo ele, que havia consolado o colombiano James Rodríguez, ficou sem um ombro solidário.

– Só queria ver meu povo sorrir, o Brasil inteiro feliz por causa do futebol. No jogo, eles foram muito melhores. Tomamos quatro gols em seis minutos. É um dia de tristeza e aprendizado também.

Levou mais de uma hora para que os envergonhados jogadores da Seleção surgissem na zona mista. Estavam todos trancados no vestiário. Chegaram a jantar lá dentro. Comeram massa, para recuperar os sete gols e o desgaste da partida.

– Foi a pior derrota da nossa vida. Estou mais chateado é com a forma que ela aconteceu – comentou Fred, uma das grandes decepções do time, e o único titular a atuar no Brasileirão.

O zagueiro Dante, que substituiu Thiago Silva, jogador do Bayern de Munique, logo, colega de metade da seleção alemã, contestou uma possível reforma da Seleção:

– Tem que repensar é nada. Se os alemães levassem sete, eles repensariam o futebol deles? Não. Não repensariam. Depois do primeiro gol, perdemos a serenidade, nos desorganizamos.

O volante Paulinho resumiu o sentimento do grupo:

– Vamos assumir a responsabilidade, por nós e pelos brasileiros. Nossa geração vai ficar marcada.

O 8 de julho de 2014 jamais será esquecido. Ficará marcado como o dia da geração dos 7 a 1. De uma forma torta, Barbosa – o goleiro negro do Brasil injustamente acusado pelo Maracanazo de 1950 – agora poderá descansar em paz.

LEANDRO BEHS


NO FUNDO DO POÇO



ZERO HORA 09 de julho de 2014 | N° 17854

ADEUS AO SONHO

BRASIL SOFRE SUA maior goleada e dá adeus ao sonho do hexa em casa



Um, dois, três, quatro, cinco, seis. Sete. Os gols foram saindo na mesma velocidade em que mais de um século de tradição futebolística descia pelo ralo da vergonha no Mineirão. Por pura compaixão no segundo tempo, e o Brasil deve esta piedade aos alemães, não foi oito ou nove. Dez, talvez. A Seleção Brasileira se despede da Copa do Mundo em casa assinando o pior vexame de sua história, ao perder por 7 a 1 para a Alemanha.

Foi constrangedor, do início ao fim. Um suplício interminável, com ares de maldição eterna, admitido pelo técnico Luiz Felipe Scolari ao final do massacre.

– Foi o pior dia da minha vida de jogador, treinador e professor de educação física. Ficarei marcado como o técnico da nossa pior derrota, mas eu sabia dos riscos que corria quando aceitei reassumir o cargo – reconheceu um Felipão arrasado, tentando encontrar explicações para o inexplicável.

O que se viu foi no Mineirazo de 2014, óbvia referência da mídia internacional a 1950, foi um time organizado e compactado, capaz de fluir um contra-ataque com meia dúzia de passes rápidos e se fechar em bloco logo em seguida. Esta era a Alemanha, que vive um processo de reinvenção há quase uma década, acrescentando drible e criatividade desde a base aos já reconhecidos método e força.

Do outro lado, um Brasil desprotegido no meio-campo, varziano, errando lances bisonhos, incapaz de coberturas primárias aos laterais e assustado com a superioridade do oponente.

Sem Neymar, Luiz Felipe poderia ter sido humilde e reconhecido que era um time médio diante de outro muito melhor. Até treinou com Paulinho, formando um tripé de volantes para marcar a fortaleza alemã. Que, há anos, todos sabem, é o meio-campo.

Mas Felipão traiu suas origens e se abriu. Escolheu Bernard, engolido por Höwedes e os gigantes da defesa montada por Joachim Löw. Servido o banquete, a Alemanha se refestelou.

Bernard, escalado para ser a surpresa corajosa, mal tocou na bola. Hulk, do outro lado, manteve o seu padrão de UFC: força, vontade, velocidade, desde que sem a bola. A bola é um estorvo para Hulk. Oscar se posicionou cá atrás, de maneira incompreensível. A linha de três atrás de Fred, portanto, naufragou. E aí o meio-campo da Seleção ruiu diante de um outro meio-campo, este espetacular, que abre e fecha num piscar de olhos, com os jogadores próximos e atuando numa faixa pequena de campo.

Em pouco menos de meia hora, a tragédia estava consumada. Depois do primeiro gol, de Müller, logo a 10 minutos, finalizando escanteio da direita, o Brasil virou pó.

– Deu uma pane. Aí, em cinco minutos, tudo acabou – lamentou Felipão, que não quis falar sobre o seu futuro no cargo.

Ninguém entendia nada no Mineirão. Aos 22, Klose fez o seu 16º gol em Mundial, superando Ronaldo. Até isso. Aos 24, Kroos aumentou. Aos 25, o mesmo Kroos, se aproveitando de lambança de Luiz Gustavo e Fernandinho, formou o quatrilho. Aos 29, Khedira, um dos volantes que o Brasil não se importou em marcar, se desprendeu lá de trás e fez o quinto gol.

Os alemães cantavam “Rio de Janeiro, ô, ô, ô”, trocando o jota por xis. Os torcedores brasileiros se olhavam, atônitos. Alguns choravam. Depois, xingaram Fred, quando este atrasou uma bola para o goleiro. Repetiram a dose com Oscar. Ao final do jogo, a vaia pegou geral.

Paulinho e Ramires nos lugares de Fernandinho e Hulk, é claro, melhoraram um pouco o Brasil na volta do intervalo. Dois volantes, que ajudaram a marcar os alemães. O jogo se arrastou, com a Alemanha se apiedando do Brasil. Ainda houve tempo para Schürrle fazer o sexto e o sétimo. O que se viu no Mineirão foi a história escrita ao contrário, uma seleção – a Seleção – ser virada de cabeça para baixo.

O futebol brasileiro nunca mais será o mesmo diante do seu pior fiasco em todas as Copas.

DIOGO OLIVIER | BELO HORIZONTE

UM VEXAME ETERNO

-Esta foi a maior derrota na história da Seleção, que só tinha perdido por seis gols de diferença uma vez, no Campeonato Sul-Americano de 1920: Uruguai 6x0 Brasil. Em Copas, nunca levara mais de quatro gols no tempo normal, nem perdido por mais de três gols de diferença.

-Esta foi a maior derrota em uma semifinal de Copa, superando as duas de 1930 (Argentina 6x1 EUA e Uruguai 6x1 Iugoslávia) e Alemanha Ocidental 6x1 Áustria, em 1954.

-Esta foi a terceira vez em Mundiais que um time toma cinco gols no 1º tempo,. depois de Zaire (seis gols na na derrota de 9 a 0 para a Iugoslávia), e Haiti (cinco na derrota de 7 a 0 para a Polônia), ambos na Copa de 1974.

- Esta foi a 11ª maior goleada da história das Copas. Empata com Brasil 7x1 Suécia (1950) e fica atrás de:

Hungria 10x1 El Salvador (1982)
Hungria 9x0 Coreia do Sul (1954)
Iugoslávia 9x0 Zaire (1974)
Suécia 8x0 Cuba (1938)
Uruguai 8x0 Bolívia (1950)
Alemanha 8x0 Arábia Saudita (2002)
Uruguai 7x0 Escócia (1954)
Turquia 7x0 Coreia do Sul (1954)
Polônia 7x0 Haiti (1954)
Portugal 7x0 Coreia do Norte (2010)
-Esta só não foi a partida em que o Brasil tomou mais gols. Em 1934, perdeu por 8 a 4 para a Iugoslávia em um amistoso em Belgrado.


DERROTA EM SEIS MINUTOS

HÁ ALGUMA EXPLICAÇÃO?

DENTRO APENAS DA disputa do terceiro lugar, sábado, em Brasília, a Seleção busca explicações para o revés que a trucidou entre os 22 e os 28 minutos do primeiro tempo



Em seis minutos faz-se miojo, troca-se fralda de bebê, compra-se ingresso na sessão de cinema mas nunca um time sofre quatro gols, como acabou acontecendo na pior derrocada da história da Seleção Brasileira em todos os tempos. Do segundo gol alemão, o 16º de Klose em Copas, aos 22 minutos, passando pelos dois de Kroos, aos 23 e aos 25, até o 5 a 0 de Khedira, aos 28 minutos, como a navalha retorcida na carne, o Brasil sofreu sua humilhação mais esculachante.

– Dois volantes fizeram três gols, você quer o quê? Ganharam na experiência – disse o técnico do Inter, Abel Braga, sobre a vitória alemã.

Abel fez defesa solitária do técnico Luiz Felipe Scolari. O jornalista paulista Alberto Helena Júnior, por outro lado, o crucificou. Aos 73 anos, 65 envolvidos com futebol, desde 1974 em coberturas de Copas do Mundo, foi enfático ao dizer jamais ter visto algo parecido no futebol. Usou adjetivos do vexaminoso ao trágico, mas considera-se mais estarrecido com o fato de, ao contrário do Brasil, ver a Alemanha jogar futebol vistoso.

– Felipão e seu pobre futebol de resultado espelham a decadência da CBF e seus cartolas. Eles são, sim, culpados pela maior vergonha já sofrida. São os homens do bola para a frente a qualquer custo – declarou Helena Júnior.

Calejado em grandes competições, Helena rejeita a ideia da família Scolari, do “somos nós contra todos” que até o Zagallo utilizava decênios atrás. Quando o futebol escasseia, para ele, o emocional não estimula e, ao contrário, retira a confiança e põe o grupo para baixo. Nem o argumento da entressafra de jogadores justifica tamanha desolação.

Para o especialista, o sistema de jogo revela atraso técnico e tático. Não se investe em conhecimento de futebol como a Europa faz de rotina, como a Alemanha faz:

– Há muito o braço da viola mudou, só o Brasil não vê.

O motivador Evandro Mota viu o jogo de Lisboa, Portugal, ele trabalha no Benfica, depois de servir de consultor à Seleção nas Copas de 1994 e 98. Perguntado sobre os efeitos dos choros e do impacto emocional da falta de Neymar no grupo, ele desabafou:

– Estou chocado. Estou triste. É difícil acreditar, mas podem ter certeza: o que se vê de reação é a ponta do iceberg.

Pelo Twitter, o ex-volante Gilberto Silva, penta em 2002, fez um comentário forte:

– Ainda tem alguém que acha que está tudo bem no futebol brasileiro? E a culpa agora é somente dos atletas?

JONES LOPES DA SILVA



ESCÂNDALO DOS INGRESSOS

ZERO HORA 09 de julho de 2014 | N° 17854

OPERAÇÃO JULES RIMET

PRISÃO DE EXECUTIVO de empresa contratada pela Fifa causou constrangimento



A passagem de Raymond Whelan, diretor-executivo da Match, pela 18ª DP, no centro do Rio de Janeiro, durou 12 horas. No começo da manhã de ontem, o britânico, suspeito de envolvimento na venda ilegal de ingressos da Copa, já estava de volta ao Copacabana Palace.

Na segunda-feira, às 15h30min, Whelan tomava um café expresso acomodado em uma das poltronas ao lado da recepção quando foi detido por policiais civis na Operação Jules Rimet. Naquele momento, o príncipe de Mônaco Albert e o ex-jogador Caniggia estavam em uma mesa ao lado.

Em nota oficial, a Match, que representa a Fifa na comercialização dos ingressos, garantiu que Whelan vai permanecer no Brasil trabalhando no torneio. O dono da empresa, o mexicano Jaime Byrom, admitiu que o funcionário tinha contato com Mohamoud Lamine Fofana, líder da quadrilha de cambistas e preso desde a semana passada. Byrom alegou, entretanto, que Fofana pediu 30 troféus em miniatura para presentear ex-jogadores da Seleção Brasileira campeã da Copa de 1970.

A Polícia Civil, que interceptou 900 ligações entre os dois, tem convicção de que Whelan desviava pelo menos mil entradas por jogo para Fofana. O britânico terá de se apresentar quinzenalmente à Justiça do Rio, que fixou a fiança em R$ 5 mil, além de determinar o recolhimento de passaporte do suspeito.

A grande questão é saber se o contrato entre Fifa e Match, que prevê exclusividade da venda dos ingressos para as Copas de 2018 e 2022, será mantido.

EDUARDO GABARDO



O PADRÃO FIFA DE CONDUTA

O GLOBO 09/07/2014 0:00


Zuenir Ventura Foto: O Globo

Zuenir Ventura


A dentada, por mais reprovável que tenha sido, não produziu estragos, enquanto a joelhada fraturou vértebra e vai deixar o atingido inativo por seis semanas


Em um só dia, anteontem, foram descobertos dois aspectos pouco edificantes do padrão Fifa de conduta. O primeiro surge quando, ao tentar explicar a covarde agressão sofrida por Neymar, acabou defendendo a impunidade e estimulando a violência em campo. Num comunicado à imprensa, em que agride a coerência e a lógica, ela diz que, apesar da “extensa documentação”, não pôde agir porque “nem um cartão amarelo nem um cartão vermelho foi mostrado pelo árbitro”. Quer dizer: o juiz erra — e isso é mostrado exaustivamente pelas imagens de televisão — e a Comissão Disciplinar da entidade máxima, em vez de puni-lo, usa o erro contra a vítima, ou seja, como atenuante para absolver o agressor. Se é assim, por que então castigou Luis Suárez, se também nem falta foi marcada? Aliás, uma pena desmedida, se for feita a comparação. A dentada, por mais reprovável que tenha sido, não produziu estragos, enquanto a joelhada fraturou vértebra e vai deixar o atingido inativo por seis semanas. Se o uruguaio pegou nove jogos de suspensão e quatro meses fora das atividades em seu clube, além de multa de R$ 247 mil, o colombiano merecia no mínimo o mesmo.

O outro aspecto é ainda mais grave, porque o episódio que envolve a Fifa foi parar na página policial. Trata-se da prisão do inglês Raymond Whelan, diretor da única empresa escolhida para a venda de bilhetes para a Copa. Solto por um habeas corpus, continua sendo investigado como chefe da quadrilha por “fornecer, desviar ou facilitar a distribuição de ingressos para venda por preço superior ao estampado no bilhete”, crime previsto no artigo 41 do Estatuto do Torcedor. Ele está hospedado no Copacabana Palace, hotel oficial da Fifa, onde o argelino Lamine Fofana adquiria ingressos (de quem?) para revender. Fofana, preso antes com mais dez suspeitos, é o operador das tenebrosas transações. Em sua casa num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, além de um caderno com a contabilidade do grupo, a polícia descobriu que nas últimas semanas ele fez nada menos que 900 ligações para Whelan num dos celulares oficiais de uso da Fifa no Brasil. Na suíte do inglês, os policiais apreenderam US$ 1.300, telefones e cem ingressos (inclusive para a final). A Polícia Civil carioca, cuja operação foi elogiada pela Scotland Yard, calcula que o lucro com a venda clandestina durante a Copa seria de R$ 200 milhões.

É cedo para dizer até onde vai o envolvimento da Fifa com a rede de cambistas, mas não é cedo para dizer que, em termos de conduta, ela, que foi tão rigorosa com os organizadores locais, não anda em boa companhia. Pelo visto, em vez de parceiros, escolheu comparsas.

VANDALISMO E CONFUSÃO APÓS DERROTA DO BRASIL

CORREIO DO POVO 08/07/2014 21:17

Quatro capitais registram vandalismo e confusão após derrota do Brasil. Em Belo Horizonte, cinco pessoas foram presas, enquanto Curitiba e São Paulo tiveram ônibus queimados




São Paulo teve ônibus queimados e loja saqueada
Crédito: Marco Ambrosio/Folhapress/CP


O pós-jogo de Brasil e Alemanha teve registro de confusões em Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e São Paulo, com a derrota da Seleção por 7 a 1. Na capital mineira, pelo menos cinco pessoas foram detidas nesta terça-feira, depois da partida no estádio do Mineirão. De acordo com informações da Polícia Militar, quatro pessoas foram presas por queimarem uma bandeira do Brasil ainda no intervalo da partida, o que é crime. Um torcedor foi preso por desacatar policiais ao fim do jogo.

Na Savassi, principal ponto de encontro de torcedores ao longo de toda a Copa do Mundo na cidade, houve princípios de quebra-quebra e garrafas quebradas. Alguns torcedores, com ânimos mais acirrados, atiraram pedras na PM, o que fez com que a corporação reforçasse o efetivo nas imediações. Porém a região já estava vazia antes mesmo do apito final.

Em Curitiba, três ônibus foram incendiados e outros depredados logo após a derrota brasileira. Vândalos atuaram na capital paranaense e também na região metropolitana. São Paulo, por sua vez, teve saque a uma loja de eletrodomésticos e dois coletivos incendiados.

Em Brasília, a Polícia Militar do Distrito Federal prendeu nesta terça um homem que quebrou um televisor da Rodoviária do Plano Piloto. o envolvido nesse caso está detido na 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte. A ocorrência está em andamento. A Fan Fest do Rio de Janeiro teve sete prisões, mas a Polícia Militar informou que as detenções foram por furtos. Conforme a PM, não houve registro de tumultos, violência ou quebra-quebra.




Fonte: