segunda-feira, 26 de maio de 2014

OS VALORES DOS BRASILEIROS



ZERO HORA 26 de maio de 2014 | N° 17808


EDITORIAL




Num Brasil conturbado como o atual, só a sua população, majoritariamente bem-intencionada, pode assegurar o melhor para a Copa e para o futuro do país.

A proximidade da Copa tem intensificado nos países com seleções inscritas para o certame a disseminação de recomendações para turistas que acompanharão os jogos nem sempre coerentes com a realidade. O Brasil tem, sim, dificuldade de cumprir prazos de obras, carências sérias de infraestrutura, criminalidade desenfreada, desigualdade social e doenças que já deveriam estar há muito sob controle, além de enfrentar a insatisfação de parcela da sociedade com os gastos impostos pelo certame. O país costuma também ser visto preconceituosamente no Exterior como paraíso sexual. Assim como ocorre com a população de qualquer país, porém, os brasileiros têm suas peculiaridades, mas não merecem ser julgados pelos estereótipos, muito menos pelos erros de seus governantes.

Entre as características indissociáveis da população, está a de saber aproveitar bem seus momentos de lazer, além da paixão pelo Carnaval e pelo futebol. Ainda assim, a imagem do brasileiro está longe de corresponder à de alguém deitado na rede, como expôs recentemente uma publicação britânica. E, se a produtividade dos trabalhadores deixa mesmo a desejar, essa é uma questão que não se deve a razões culturais. Os brasileiros têm uma jornada oficial de trabalho superior à de muitas potências europeias – e não poderia ser diferente numa economia que precisa gerar o suficiente para fazer o país avançar. Durante as recentes greves no transporte coletivo, trabalhadores reafirmaram que nem mesmo sem condução se resignam a faltar ao serviço.

Se há problemas de produtividade, é porque ainda falta à mão de obra brasileira, de maneira geral, mais tempo de escola, por conta de descasos históricos de governantes com a educação. A imensa maioria dos brasileiros não desiste também de trabalhar, mesmo arcando com uma carga de impostos entre as maiores do mundo, sem uma adequada contrapartida em serviços públicos eficientes. Neste ano, os brasileiros precisarão trabalhar 151 dias – até 31 de maio, antevéspera da Copa –, só para pagar impostos, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

A Copa não deve ser usada para enaltecer o país e sua população de forma ufanista e idealizada, ignorando suas mazelas. Constitui-se, porém, numa oportunidade para os brasileiros exibirem suas qualidades, que são muitas. Uma delas é a de que é um povo trabalhador e cumpridor de seus deveres. Num Brasil conturbado como o atual, só a sua população, majoritariamente bem-intencionada, pode assegurar o melhor para a Copa e para o futuro do país. Os ganhos serão maiores com políticas continuadas de educação, independentemente de quem estiver no governo.

EM RESUMO

Editorial reconhece problemas do país que vai sediar a Copa, mas alerta que brasileiros não podem ser julgados com base em estereótipos e erros de seus governantes.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Infelizmente, a maioria dos brasileiros não tem cultura política e social, disseminando o jeitinho e escolhas que priorizam o interesse particular em detrimento da finalidade pública. Assim, privilégios, alimentação e moradia passam a ter valores maiores do que as necessidades em saúde, educação, justiça e segurança, até que se precise ou perca patrimônio e vida de entes queridos por falta destas necessidades.

POLICIAMENTO JÁ É VISÍVEL EM PORTO ALEGRE


ZERO HORA 26 de maio de 2014 | N° 17808

POLÍCIA | Segurança na Copa

Reforço de PMs já é visivel nas ruas da Capital



Um efetivo de 2,5 mil policiais militares, divididos em Batalhão Copa e Batalhão Especial de Pronto Emprego (Bepe), tomou as ruas da Capital nos últimos dias. Convocados para atuar durante o Mundial, eles chegaram do Interior na quarta-feira e estão divididos em equipes, por áreas da cidade.

Os dois grupos têm demandas específicas que envolvem o policiamento preventivo. Nos dias de jogos, o Batalhão Copa atuará na escolta de delegações, estará ao redor do estádio Beira-Rio e nas proximidades de hotéis, aeroporto, pontos turísticos e do Anfiteatro Pôr do Sol, onde será realizada a Fan Fest (exibição pública oficial dos jogos da Copa).

O Bepe é um efetivo de reserva para atuar em manifestações, por exemplo. Parte do reforço será desmobilizado após a última partida na cidade, em 30 de junho. O restante poderá ficar até 18 de julho, atuando nas Fan Fests.

domingo, 25 de maio de 2014

COPA DE SANGUE


O Estado de S.Paulo 25 de maio de 2014 | 2h 05


OPINIÃO



A manifestação promovida quinta-feira na capital paulista pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ilustra bem a situação vivida hoje pelas grandes cidades brasileiras, a começar pelas duas mais importantes, São Paulo e Rio de Janeiro - total desrespeito pela população, que tem seus deslocamentos prejudicados pela ocupação de vias importantes, justamente em horários críticos; ameaça pelos manifestantes de recurso também à violência física, se contrariados; desafio aberto às autoridades que, amedrontadas, preferem proteger os que assim infringem a lei, em vez de colocá-los em seu devido lugar e cumprir o dever elementar de manter a ordem pública.

Foram 15 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar (PM), mas poderiam ser apenas mil, ou mesmo quinhentos, porque hoje qualquer meia dúzia de gatos-pingados afoitos e autointitulados integrantes de movimentos sociais conseguem com a maior facilidade, à hora que bem entendem, interromper a circulação em ruas e avenidas escolhidas a dedo para perturbar a vida da maior cidade do País. Eles começaram seu protesto no Largo da Batata, em Pinheiros, às 18 horas, passaram pelas Avenidas Faria Lima e Cidade Jardim, pegaram a Marginal do Pinheiros, bloqueando todas as suas pistas no sentido zona sul, e encerraram a manifestação na Ponte Estaiada.

Não sem antes realizar ali uma assembleia a céu aberto, indiferentes à confusão provocada no trânsito. É fácil de imaginar os transtornos causados pelo "protesto" do MTST, nesse horário de pico, naquelas vias importantes. "Protesto" que incluiu os mais diversos ingredientes - crítica à realização da Copa do Mundo e reivindicações referentes à moradia, à educação, ao transporte e à saúde. Como quem quer tudo na verdade não quer nada, essa estranha salada só pode ter sido feita como pretexto para agitar.

A irresponsabilidade dos líderes do MTST não parece ter limites. Uma das provas disso foi a arregimentação até de crianças e idosos para participar da manifestação. Como há sempre a possibilidade de atos desse tipo, com 15 mil pessoas, fugirem ao controle - mesmo com a atitude benevolente da PM, que se limitou a proteger os manifestantes que pisoteavam o direito de ir e vir dos paulistanos -, o risco foi grande de alguém se ferir. E disso sabiam seus organizadores, que usaram covardemente aquelas pessoas como escudo.

Igualmente grave - e demonstração de profunda indiferença às agruras dos paulistanos - foi promover o tal "protesto" logo em seguida aos dois dias em que a cidade sofreu com a greve selvagem de motoristas e cobradores.

E tem mais. O líder do MTST, Guilherme Boulos, a nova vedete dos movimentos ditos sociais - nos quais nunca se sabe onde começa a baderna e onde termina o social -, fez uma clara ameaça, a propósito da ocupação de uma grande área na zona leste, perto do Estádio Itaquerão, onde se realizará o jogo de abertura da Copa: "Se eles (policiais com ordem judicial para reintegração de posse) quiserem desocupar sem negociar, sem dar garantias reais àquelas famílias, vai haver resistência. Se eles insistirem, vai ter uma Copa de sangue".Tendo em vista a desenvoltura com que ele e seus companheiros vêm agindo impunemente, é melhor não duvidar de sua palavra e se preparar para o pior.

Se chegamos a essa situação, é porque assistimos há já algum tempo a uma confusão deliberada entre o direito inquestionável da população de se manifestar, criticar e apresentar pacificamente reivindicações e a baderna pura e simples, promovida por aqueles que, por razões políticas e ideológicas, quando não por impulsos criminosos, estão interessados apenas na agitação. Por isso, promovem seus "protestos" atropelando todas as regras que, nos regimes democráticos, regulam essa matéria, a começar pela obrigação de avisar com antecedência sua realização e pedir autorização para tal.

Igual responsabilidade têm os governantes que, para não serem acusados de "repressores", não permitem que a polícia preserve a ordem pública e proteja os direitos da maioria. Poderão pagar caro por isso, acusados pela população de conivência com a bagunça.

POLICIAIS CIVIS AMEAÇAM FAZER PROTESTO DURANTE A COPA

REVISTA VEJA 21/05/2014 - 20:28

Segurança pública. Policiais civis ameaçam fazer protestos durante a Copa

Confederação avalia como positiva a mobilização desta quarta e descarta nova paralisação, mas avisa que pode voltar a se mobilizar caso os governos não atendam reivindicações. Um dos pedidos é a formação de um grupo de trabalho com o Ministério de Justiça

Pollyane Lima e Silva e Daniel Haidar




Passeata de policiais civis, federais e rodoviários federais, em Brasília, em dia da paralisação nacional (Ailton de Freitas/Agência O Globo)

A paralisação nacional de 24 horas dos policiais civis, que teve início à 0h desta quarta-feira, foi avaliada como "positiva" pela Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), de onde partiu a convocação aos sindicatos. Ainda assim, a categoria não descarta a possibilidade de realizar novos atos - inclusive protestos - durante a Copa do Mundo, que começa no próximo dia 12 de junho. Tudo depende de como os governos, principalmente o federal, vão reagir às reivindicações dos agentes. A principal exigência das categorias envolvidas é que o país tenha uma "política nacional de segurança pública".

"Nossa posição está dada. O governo sabe o que queremos, e este foi o primeiro alerta. Se não formos chamados a compor um grupo de trabalho com o Ministério da Justiça, faremos o segundo movimento, o terceiro, quantos acharmos necessários, para mostrar à imprensa e à população a situação calamitosa na qual se encontra a segurança pública do país", disse ao site de VEJA o presidente da Cobrapol, Jânio Gandra. Ele ressalva, porém, que novas paralisações estão descartadas. "Entendemos que não seria correto. Os turistas que estão chegando ao país para curtir o evento não têm culpa", afirma.

A adesão à paralisação desta quarta foi abaixo do esperado - as confirmações recebidas de quinze Estados se converteram em dez, na prática, mais o Distrito Federal - mas nada que enfraquecesse o movimento, garante Gandra. "Nosso objetivo principal era que os governos abrissem uma oportunidade de diálogo, e isso aconteceu mesmo em locais que não participaram da paralisação. É uma vitória."

Rio de Janeiro - A promessa de uma reunião com o governador, Luiz Fernando Pezão, e o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, na manhã de quinta-feira, não acalmou os ânimos dos agentes do Rio de Janeiro, que consideram até voltar a cruzar os braços - inclusive durante o Mundial. "Nossa interpretação é de que o Estado quer ganhar tempo para não atender nossas reivindicações e jogar a opinião pública contra a gente, alegando que somos oportunistas. Quem quer, faz agora. Quem não quer, enrola. A verdade é essa", afirmou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Rio (Sindpol), Francisco Chao.

Ele afirma que já estava acertado com o governo a incorporação de uma gratificação de 850 reais ao salário-base dos agentes - principal demanda da classe no Rio. No fim do mês de abril, porém, Pezão pediu que eles esperassem até 15 de maio e, nesta data, prometeu uma solução em 10 de junho, ainda de acordo com o sindicalista. O governador chegou a afirmar, na terça-feira, que já havia dado um aumento à categoria acima da inflação, e que eles não receberiam novo benefício. Nesta quarta, ele recuou e, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que "ainda não sabe o que poderá ser feito, mas está dialogando e analisando as possibilidades".


21/05/2014

Segurança pública. Governo federal trata paralisação de policiais como greve ilegal

Advogado-geral da União entrou com liminar contestando movimentos e diz que vai cobrar das categorias qualquer gasto público em decorrência da greve



Luís Inácio Lucena Adams, Advocacia Geral da União (Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, afirmou que a paralisação nacional de policiais civis, iniciada à 0h desta quarta-feira, é "ilegal" e viola a legislação brasileira. "Nenhuma atividade armada, associada à segurança, tem autorização para participar de movimentos grevistas. Reivindicações podem ser feitas de outras formas", declarou. A AGU já entrou com liminares contestando também o movimento dos policiais civis, que teve adesão de pelo menos dez Estados, além do Distrito Federal.

Adams disse ainda que o governo federal vai cobrar das categorias qualquer prejuízo que os cofres públicos tenham em função da paralisação. "Se o Estado, por exemplo, tiver de pagar para garantir a segurança em locais onde a Polícia Militar fez greve, aqueles que geraram a situação serão responsabilizados financeiramente por isso. O Estado não pode ser onerado por uma prática ilegal. Vamos cobrar os valores devidos." Segundo a Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), o objetivo da paralisação é pressionar o governo federal a criar uma política de segurança pública.

No Rio de Janeiro, o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, disse considerar o movimento justo, mas evitou qualquer embate com o governo do Estado. Em uma reunião marcada para as 8h desta quinta-feira, Veloso vai se encontrar com o governador Luiz Fernando Pezão, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol), Francisco Chao, e pelo menos vinte agentes. "Não estou reabrindo mesa de negociação, que já está concluída e o compromisso (do aumento) foi firmado. Se eu soubesse que o governo não iria dar, meus policiais seriam os primeiros a saber", declarou Veloso.

Baixa adesão - Policiais civis e federais de vários Estados não aderiram à paralisação nacional. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os agentes da Polícia Civil permaneceram trabalhando normalmente. Os policiais federais catarinenses também não participaram do movimento. Em Minas Gerais, policiais civis fecharam o trânsito no início da tarde, no Centro de Belo Horizonte, e fizeram passeata em algumas das principais vias da região central da capital. Os agentes fecharam o tráfego na Praça Sete de Setembro, no cruzamento das avenidas Amazonas e Afonso Pena, onde atearam fogo em caixões que simbolizam a segurança pública no país.

No Amazonas, o movimento fracassou. Em Manaus, apenas vinte policiais realizaram uma movimentação no centro da cidade e depois de alguns minutos dissolveram o movimento, ao mesmo tempo em que uma pequena comissão era recebida pelo governo local. Já em João Pessoa, capital da Paraíba, um pequeno grupo de policiais civis fez manifestação em frente ao Palácio da Redenção - sede de governo do Estado - com faixas e carros de som, mas com pouca participação da categoria. O Sindicato da Polícia Civil informou que as delegacias não receberam flagrantes durante o dia de mobilização. Segundo o sindicato, 30% do efetivo permaneceu trabalhando.

Na Bahia, a paralisação não afetou a rotina em Salvador. Segundo o sindicato da categoria, 30% do efetivo cumpre jornada para garantir os serviços considerados essenciais e urgentes. Algumas delegacias, como as especializadas, mantiveram atendimento normal à população. No Tocantins, não houve paralisação. Tanto o Sindicato (Sinpol-TO), quanto a Associação dos Policiais Civis (Aspol-TO) emitiram nota, dizendo que apoiam, mas não participam da paralisação nacional, por causa dos avanços que conseguiram junto ao governo estadual.

(Com reportagem de Daniel Haidar, do Rio de Janeiro, e Estadão Conteúdo)

COPA NO BRASIL BATERÁ TODOS OS RECORDES FINANCEIROS

REVISTA VEJA 23/05/2014 - 11:26


Fifa deve lucrar mais de 8 bi de reais, mas avisa que também gastou mais que o esperado. Custo com estádios superou o das duas últimas edições do Mundial



Joseph Blatter comemorou os valores de venda de direitos de transmissão e a grande procura por ingressos (Laurence Griffiths/Getty Images)


Dentre as marcas negativas, destaca-se o alto custo dos estádios. Ao todo, foram gastos 8,5 bilhões de reais na construção das doze arenas do Mundial, três vezes o valor que a CBF havia indicado para a Fifa em 2007.

Dados oficiais da Fifa apontam que, ao menos no que diz respeito a marketing e faturamento, o Mundial que começa no dia 12 de junho, em São Paulo, baterá todos os recordes da história do futebol. Será a Copa do Mundo mais cara, a mais lucrativa para a Fifa, a que distribuirá maiores prêmios, a que deve ser vista por um número inédito de pessoas, a que mais teve ingressos pedidos e a que terá em campo os craques mais caros da história do futebol. Das seleções aos clubes, dos atletas aos cartolas, todos sairão do Brasil com um volume de dinheiro inédito nos bolsos.

A renda da Fifa ultrapassará a marca de 4 bilhões de dólares, mais de 800 milhões de dólares acima do que a entidade obteve na África do Sul em 2010. Mas a Fifa insiste que nunca gastou tanto com um evento quanto a Copa no Brasil. No total, o investimento da Fifa teria chegado perto de 2 bilhões de dólares. Para ter o direito de transmitir a Copa, redes de televisão pagaram um valor recorde para a Fifa: cerca de 1,7 bilhão de dólares. A expectativa é de que a audiência seja recorde. Na final da Copa em 2010, 530 milhões de pessoas assistiram a Espanha levantar o troféu. Desta vez, os números devem bater essa marca. No Brasil, mais de 14.000 jornalistas foram credenciados para o evento, outro recorde.

Na final de 2010, cerca de 530 milhões de pessoas assistiram à vitória da Espanha sobre a Holanda. Desta vez, a expectativa é que a decisão no Maracanã, marcada para 13 de julho, supere esta marca. Outro recorde é o número de pedidos de ingressos. No total, mais de 11 milhões de pessoas enviaram seus pedidos para os três milhões de ingressos disponíveis. De acordo com os dados oficiais, só para a final, a Fifa poderia ter preenchido cinco Maracanãs com os pedidos que recebeu. A premiação para a seleção campeã será de 35 milhões de dólares (cerca de 77,4 milhões de reais), o maior já pago pela entidade. Outros 323 milhões de dólares (714,6 milhões de reais) serão distribuídos para as 31 seleções restantes.

Dentre as marcas negativas, destaca-se o alto custo dos estádios. Ao todo, foram gastos 8,5 bilhões de reais na construção das doze arenas do Mundial, três vezes o valor que a CBF havia indicado para a Fifa em 2007. O valor é o equivalente ao que Alemanha e África do Sul gastaram, juntas, com estádios nas duas últimas Copas.

Marcas - Parceira da Fifa desde 1970, a Adidas também irá faturar alto com este Mundial. A empresa alemã prevê um aumento de 8% em sua receita de 2014, o que significaria um ganho de 1,6 bilhão de dólares. Os seis principais parceiros da Fifa pagaram mais de 700 milhões de dólares à entidade para ter o direito de explorar a marca da Copa e ter seus cartazes expostos nos gramados brasileiros.


28/04/2014

CBF apresenta maior faturamento de sua história . Turbinada por Copa, entidade alcança 452 milhões de reais de receita em 2013



O presidente da CBF e do COL, José Maria Marin, com o presidente da Fifa, Joseph Blatter (Alexander Hassenstein/Fifa/Getty Images)

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou a maior receita da sua história no ano passado: 452 milhões de reais. De acordo com estudo do consultor de marketing e gestão esportiva, Amir Somoggi, a entidade que regula o futebol brasileiro viu seus lucros crescerem a partir de 2007, ano em que o Brasil foi escolhido como sede do Mundial deste ano. A análise leva em conta os dados registrados pela CBF nos últimos 11 anos – desde 2003. O único ano em que a Confederação teve prejuízo foi em 2006, um ano antes da escolha do país-sede de 2014.

Os 452 milhões de reais em receita representam uma evolução de 18% em relação a 2012. Desde 2003 a receita da entidade cresceu 310%. O estudo mostrou que as receitas que mais cresceram no último ano foram os direitos de transmissão (170%), seguido das partidas realizadas (37%) e patrocínios (27%). Desde 2007, o apoio de patrocinadores cresceu 328% e os direitos de transmissão, 950%. Em 2013 a despesa total da CBF chegou a 396 milhões de reais, com destaque para os gastos administrativos e com a realização de competições. Antes de o país ganhar o direito de receber o Mundial, o ano mais lucrativo para a entidade havia sido 2003 – com apenas 5 milhões de reais de lucro. 

Amir Somoggi pesquisa CBF

Amir Somoggi pesquisa CBF

Pesquisa Amir Somoggi - CBF



lucro CBF pesquisa Amir Somoggi - Divulgação Amir Somoggi




RONALDO CRITICA ATRASOS NA COPA: ME SINTO ENVERGONHADO

REVISTA VEJA 24/05/2014 - 02:45

Futebol. Ex-jogador reclama dos problemas enfrentados pelo Brasil nos preparativos para a competição, mas afirma que o Mundial não deve ser alvo de protestos




Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa (Paulo Whitaker/Reuters)
"É uma pena. Eu me sinto envergonhado porque é o meu país, o país que eu amo. A gente não podia estar passando essa imagem", disse Ronaldo

Integrante do Comitê Organizador Local (COL) da Copa, Ronaldo disse estar envergonhado pelos atrasos e problemas enfrentados pelo Brasil às vésperas do início do Mundial. Em entrevista à agência Reuters na sexta-feira, o ex-jogador culpou os governantes pelos projetos que só ficaram no papel e defendeu que o torneio não é o "grande vilão" do país.

Ronaldo acredita que as críticas feitas pela Fifa ao Brasil pelo não cumprimento de prazos são justas, já que o país sabia desde 2007 das exigências da entidade. “De repente chega aqui é essa burocracia toda, uma confusão, um disse me disse, são os atrasos. É uma pena. Eu me sinto envergonhado porque é o meu país, o país que eu amo. A gente não podia estar passando essa imagem”, lamentou.

Apesar dos atrasos, Ronaldo confia que todos os estádios estarão prontos para a Copa. O ex-jogador, no entanto, criticou os governantes do país, que ele apontou como responsáveis pelos problemas enfrentados nos preparativos para o torneio. “A Copa do Mundo é uma ferramenta que trouxe uma série de investimentos para o nosso país. Poderia ter sido perfeito, se fizessem tudo o que prometeram, mas isso não tem a ver com Copa do Mundo, tem a ver com os governos que prometeram e não cumpriram.”

Protestos – Para Ronaldo, a realização do torneio no Brasil não deveria ser alvo de protestos. Desde junho do ano passado, manifestantes criticam os gastos do país com a organização do Mundial. A possibilidade de protestos violentos durante a Copa é uma das maiores preocupações da Fifa e do governo. “As pessoas olham o Mundial como o grande vilão do nosso país e não é. A gente não pode esquecer que o nosso Brasil não era essa maravilha toda antes da Copa do Mundo. Era igual ou pior”, afirmou Ronaldo.

CUIABÁ VAI TER COPA. GRAÇAS AO IMPROVISO

REVISTA VEJA 25/05/2014 - 12:09

Mato Grosso. Capital de Mato Grosso corre contra o tempo para entregar o mínimo. Porque as obras prometidas como legado não saíram do papel, motivo de vergonha

Felipe Frazão, de Cuiabá (MT)


Estação do VLT em frente ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon em Cuiabá (MT) - Felipe Frazão/Veja.com

Numa entrevista à agência Reuters que rodou o mundo desde a noite de sexta-feira, o ex-jogador Ronaldo, que tem assento no Comitê Organizador Local da Copa, soltou o verbosobre o atraso nas obras de preparação do Brasil. “Eu me sinto envergonhado”, disse ele. Foi uma declaração contundente, vinda de uma figura pública brasileira diretamente envolvida no torneio, e o governo tentou reagir. No sábado, a presidente Dilma Rousseff e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se pronunciaram. “Não temos do que nos envergonhar”, disse a presidente, ao passo que ministro – surpresa! – lançou mão de uma metáfora futebolística e acusou o ex-atacante de desferir “um chute contra o próprio gol”. Mas a verdade, infelizmente, é que o Brasil tem, sim, motivos para se envergonhar. E esses motivos estão expostos na terra revirada e nas ruas obstruídas de Cuiabá (MT), cidade que, a vinte dias do início do mundial de futebol, sintetiza todos os erros de organização em que o país se enredou.

Quando Cuiabá foi escolhida, em 2009, uma das doze sedes da Copa, os mato-grossenses ficaram esperançosos de deixar no passado a palavra atraso. Com infraestrutura urbana precária, a capital do Estado prometia uma revolução. Porém, uma visita à cidade revela que a palavra atraso, além de ser pronunciada em todas as esquinas, agora vem acompanhada de termos como desvio e improviso. As principais obras de mobilidade urbana não ficaram – e nem ficarão – prontas a tempo. O deslocamento na cidade é caótico: dezenas de placas de trânsito indicam caminhos interditados por causa de canteiros de obras, que acumulam entulho e barro. Com tráfego pesado, as ruas alternativas foram esburacadas. Principal responsável pelo iminente vexame que o Brasil transmitirá aos estrangeiros que chegarão ao país nas próximas semanas, o governo de Mato Grosso admite o despreparo para executar as obras prometidas e tenta garantir o mínimo. "Se eu não trouxer o turista, o torcedor, a família Fifa e os jogadores do aeroporto ao hotel sem passar por aqueles desvios e lugares terríveis eu matei a minha cidade e a minha copa", disse ao site de VEJA o responsável pela Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo, Maurício Guimarães.

A capital mato-grossense tornou-se exemplo de como não fazer: subestimou dificuldades previsíveis, como as desapropriações de imóveis, falta de mão de obra qualificada, má gestão e atrasos no repasse dos recursos federais e na conclusão dos projetos. “As condições financeiras apareceram e fomos audaciosos de abraçar tudo para não desperdiçar o que estava à disposição do poder público, como sede de Copa. Isso criou um grande volume de execução num tempo muito curto. Foi obra demais, excesso de trabalho. O Estado não estava preparado”, admite Maurício Guimarães. Parte da responsabilidade pela desorganização pode ser atribuída à escolha das sedes: a Fifa sugeriu de oito a dez, mas o Brasil queria ampliar para dezessete; terminou com doze. A pulverização fez o país erguer estádios milionários que dificilmente terão utilidade no futuro – Mato Grosso, por exemplo, não tem nenhum time na elite do futebol, tampouco um campeonato estadual atraente.

Os primeiros visitantes desembarcarão num empoeirado cenário de “praça de guerra”, conforme definiu na semana passada o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes. Apesar de não haver nenhuma batalha em Cuiabá, os atrasos mais visíveis ficam em “trincheiras” – mergulhões para carros em cruzamentos da Avenida Miguel Sutil, que corta a cidade com pistas mal pavimentadas e conversões improvisadas. As duas maiores "trincheiras", Jurumirim e Santa Rosa, ficarão pela metade, somente com pistas laterais e rotatórias abertas à passagem de carros depois de asfaltadas às pressas. Na da Santa Rosa, ainda vaza água em solo com terra e pedras aparentes em frente ao hotel onde a comitiva da Fifa se hospedará.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) questionaram em vistorias o acabamento das obras. Relatórios dos dois órgãos apontaram uma série de falhas visíveis nas construções: ausência de sinalização, infiltrações, drenagem inadequada, rachaduras e paredes tortas (fora de prumo). A pista de saída do recém-inaugurado Viaduto do Despraiado, por exemplo, corre o risco de ser invadida por terra se chover forte por causa do deslizamento de um barranco ao lado. “Em novembro do ano passado já apontávamos que as obras não estariam prontas se continuassem no ritmo em que se encontravam”, disse o conselheiro do CREA-MT André Schuring. "Por causa da qualidade terrível, começava a ficar claro que o tal legado da Copa também é uma obra de ficção." Ele observa a necessidade de inspeções técnicas para identificar quanto pode custar ao município o eventual reparo dos erros.


Felipe Frazão/Veja.com

Construção da trincheira Santa Rosa em frente ao hotel onde ficará hospedada a comitiva da Fifa em Cuiabá (MT)

Reclamar das obras não é exclusividade da turma "do contra". Até ex-gestores do governo Silval Barbosa (PMDB) se constrangeram com a preparação. "Eu fico com vergonha em receber as pessoas com a bagunça que fizeram em Cuiabá. Está tudo arrebentado", disse à reportagem, sob anonimato, um ex-secretário do Estado.

Não faltou dinheiro. Só as obras da Copa em Cuiabá custaram aos cofres públicos pelo menos 2,3 bilhões de reais, de acordo com levantamento da ONG Contas Abertas. Porém, o governo só executou pouco mais de metade do orçamento: 1,2 bilhão de reais. Maior e mais caro projeto, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) consumiu mais de 1,5 bilhão de reais e só deve entrar em operação em 2015. Os operários abandonaram boa parte dos canteiros ao longo dos 22 quilômetros do modal, na estratégia do governo estadual de priorizar as construções com chance de conclusão, ainda que parcial. De todas as obras previstas na matriz de responsabilidades, Cuiabá deve entregar apenas o estádio e o corredor viário Mário Andreazza – duplicação da rodovia e da ponte de acesso entre aeroporto e o centro da capital. O Arena Pantanal, um estádio moderno de 570 milhões de reais, já está sob administração da Fifa – mas ainda falta concluir o cabeamento e instalar estruturas de apoio temporárias, cabines de transmissão, tendas e grades.

Chegada – O secretário Maurício Guimarães diz que "todas as obras lhe preocupam", mas vai priorizar a liberação da saída do aeroporto de Cuiabá, trecho que ele considera "o principal gargalo". Passageiros elegeram o Marechal Rondon o pior aeroporto entre os quinze que servirão aos turistas na Copa – são doze sedes, mas São Paulo tem três aeroportos, e o Rio, dois. Cuiabá ficou na última posição em quatro das cinco pesquisas de satisfação da Secretaria da Aviação Civil da Presidência. A estrutura é acanhada: banheiros apertados e faltam calçadas livres na entrada do terminal de embarque, ainda em obras de ampliação.

Sair do aeroporto será tarefa desgastante. As interdições de trânsito têm causado engarrafamentos intensos na cidade: a frota da capital e da cidade vizinha Várzea Grande, onde fica o Marechal Rondon, soma 224 000 carros e 104 000 motos, para uma população conjunta de 833 000 habitantes. E há um agravante: o déficit de táxis. Sem contar os turistas, a média é de mais de 1 000 habitantes por taxista nos dois municípios. Em São Paulo, a proporção é mais branda: cada táxi serve a 360 moradores. "Acho que os turistas vão ficar muito arrependidos e se perguntar o que vieram fazer aqui", disse o taxista em Várzea Grande Pedro Paulo Ventura, de 29 anos.

#nãovaiternacopa

Táxi Cuiabá tem 604 táxis e Várzea Grande 187: mais de 1 000 habitantes por taxista

Hotéis O déficit atual é de 12 000 leitos em Cuiabá. Não há mais quartos nos jogos: Chile x Austrália e Colômbia x Japão

Turismo Três pontos de visitação da Chapada dos Guimarães estão fechados: Salgaderia, Portão do Inferno e Mirante do Centro Geodésico da América do Sul

Campo de Treinamento Os dois COTs devem ser entregues incompletos, apenas com campos prontos
Aeroporto Marechal Rondon Novo terminal funcionará parcialmente e com puxadinho (módulo operacional) na Copa. Novo setor internacional, com praça de alimentação e lojas, não deve abrir

Fonte: Prefeitura de Cuiabá, Tribunal de Contas de Mato Grosso, Governo de Mato Grosso e Sindicato Intermunicipal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso

Estada

Outro problema estrutural de Cuiabá é a rede hoteleira. A secretaria de Turismo da prefeitura de Cuiabá ficou responsável por buscar alternativas de acomodação aos turistas para suprir a demanda nas partidas de pico. Em um raio de 200 quilômetros da capital, existem apenas 23 000 leitos hoteleiros – e o déficit é de 12 000 vagas, segundo o secretário Marcus Fabrício. A prefeitura incentivou que cuiabanos alugassem quartos em suas casas no esquema cama e café (bed and breakfest, em inglês) ou locassem os imóveis por temporada. Nos últimos dias, Fabrício visitou terrenos próximos ao estádio que podem servir de camping para mochileiros, principalmente chilenos, que pretendem viajar ao Brasil de carro, ônibus ou em motor-homes. O secretário também solicitou a motéis da cidade o bloqueio de cerca de 500 quartos frequentados por casais na madrugada, anote-se, com decoração adaptada: "Só precisa retirar o espelho do teto e a cama redonda, resolver essas questões". Ele não considera que hospedagem cause estranheza aos hóspedes estrangeiros: "Nos Estados Unidos é comum dormir em motel, o conceito é diferente." Mas os preços (além das camas redondas que sobreviverem à "adaptação") certamente devem espantar: no motel Segredos, a suíte dupla sairá por 1.200 reais, com hidromassagem e piscina, e as simples por 600 reais. A opção derradeira é típica de encontros universitários: alojamentos gratuitos com colchonetes em salas de aula de escolas estaduais ou igrejas.

O diretor de hotéis do Sindicato Intermunicipal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso, Luiz Verdun, explica que a rede hoteleira de Cuiabá cresceu pouco desde que a cidade foi eleita como sede do mundial: havia cerca de 12 000 quartos e agora existem mais de 13 000 unidades. Segundo ele, a capital do Estado não possui demanda que sustente o mercado ao longo do ano. Verdun prevê uma "guerra de tarifas" no período pós-Copa: "O investimento é pesado, rede hoteleira não é barraca de camping que se desmonta após a festa. Muita gente vai quebrar ou terá de transformar os prédios em salas comerciais". O representante do setor também relata que os hotéis não conseguiram vender pacotes de estada com visitação às principais atrações turísticas e que sobram vagas para os dias das partidas Rússia x Coréia do Sul e Bósnia Herzegovina x Nigéria. "O turista reservou apenas um ou dois dias, só para ver o jogo e ir embora", afirma. "A Copa existe em Cuiabá em função da ecologia. Mas não fizeram absolutamente nada no Pantanal e as estradas até lá são péssimas e perigosas. A Chapada dos Guimarães bloqueou pontos de visitação muito populares."

Desde o início do ano, os mato-grossenses de Cuiabá e Várzea Grande convivem com crimes em elevação. Nos quatro primeiros meses, os homicídios aumentaram 45% e os roubos 41% nas duas maiores cidades do Estado, ante o mesmo período do ano passado. Até abril, as cidades somaram 158 assassinatos enquanto em 2013 houve 109 homicídios. Os roubos chegaram à marca de 2851 ante 2021 no ano mesmo período do ano anterior. A cidade terá reforço de tropas federais, mas Secretaria da Segurança Pública faz sigilo sobre a quantidade: “Em momento algum turistas estrangeiros ou nacionais irão correr riscos em solo mato-grossense”.

Se depois de tantos percalços em dias quentes com temperaturas acima dos 30 graus, os turistas saírem de Cuiabá com uma boa impressão do Brasil, deve ser por causa da simpatia dos cuiabanos e da boa mesa que a região oferece. Essa também é a esperança do governo estadual. Apesar de descrentes, os mato-grossenses ainda têm expectativa de que a cidade melhore. "É um transtorno que estamos passando, mas no futuro será benéfico para a população", disse o corretor de imóveis Clayton Gomes, de 33 anos, morador de Colíder (MT) a 630 quilômetros de Cuiabá.